Nação Corinthians!
Passada década de 70 onde a economia girava em torno da agricultura, para ser mais preciso girava em torno do cultivo de pêssego, Itaquera começa crescer demograficamente e expandir suas atividades econômicas com pequenas empresas que começam a chegar à região, conseqüentemente o comércio começa se instalar ali para servir a crescente população. Essa mão de obra, no entanto vinha do extremo leste, da região de São Matheus, Guaianazes e cidades vizinhas como Ferraz de Vasconcelos, Suzano, Poá, o que explica a alta concentração de linhas de linhas de ônibus para essas regiões em Itaquera.
Com a construção da COHAB II José Bonifácio nos anos 90 a população explode em Itaquera e as adequações viárias tornam-se inevitáveis e inadiáveis. Em 1995 o pontapé inicial para as melhorias viárias começa com inicio das obras do complexo viário Jacu-Pessego que ligaria Rodovia Ayrton Senna – Rodoanel. Na primeira fase da obra foi compreendido o trecho que começava na Rod Ayrton Senna na divisa SP/Guarulhos e terminava na Av. Ragueb Chohfi na região de São Matheus, hoje já inaugurado o trecho entre São Matheus – Mauá a ligação com Rodoanel Mário Covas foi concluído e o corredor para o Porto de Santos está em funcionamento. A partir daí uma série de modificações viárias foram desencadeadas em Itaquera, desafogar toda aquela aglomeração de ônibus e carros era um desafio, nos horários de pico Itaquera travava e ninguém se movia em nenhum sentido. A antiga estação de trem Itaquera construída na década de 30 foi desativa em 2000 ano que Corinthians sagrou-se Campeão Mundial de Clubes da FIFA, dando lugar a prolongação da Radial leste que hoje se estende até Guaianazes, desafogando um pouco do trânsito concentrado no centro de Itaquera. Um emaranhado de viadutos e o cinza do concreto tomam o centro do bairro outrora tranqüilo, silencioso e pacato. Esse crescimento traz consigo barulho, poluição é o preço que se paga pelo desenvolvimento não sustentável, não planejado.
Itaquera cresceu esquecida do resto da mega metrópole, o bairro dormitório, de gente simples e operária que construiu boa parte da história dessa cidade, nunca teve o digno tratamento de saúde que merece (se bem que nesse país ninguém que tenha carteira assinada tem) nunca teve educação pública digna, nunca teve transporte público digno, mais que sempre teve dignidade, orgulho e hombridade, porque o Povo jamais sucumbe, jamais deixa de lutar. Nesse ponto a história do Povo e do Corinthians se confundem, se fundem e se eternizam.
Itaquera só era lembrada na época de campanhas políticas, nesse período o Quilombo Pedra Dura era infestado de santinhos, cartazes e todo tipo de material sujo que suja o bairro todo, logo após a contagem dos votos era esquecida novamente e o Povo continuava a trilhar seu caminho mesmo sem ter um caminho a trilhar.
Hoje, no entanto estamos sendo vistos e visitados por todos do planeta, Itaquera outrora esquecida se tornou o centro do mundo da bola, gente de todo lugar, de toda índole e de toda sorte peregrina na Itaquera Corinthiana, há quem agradeça Deus e São Jorge por ter o Corinthians como vizinho, pelo Clube de Todos os Povos ter dado voz quando ninguém mais o fez, o Corinthians dá uma razão para seu Povo Viver.
A obra hoje é visitada pelos Corintianos apenas para constatar que mais algumas estacas foram cravadas no coração de quem tem o povo como inimigo, que mais alguns pilares estão de pé dando forma ao que será a casa do Povo, ou pelo menos deveria ser. A obra vai muito bem, a usina de concreto está lá, as primeiras estruturas de arquibancada sendo montadas, quando cai à noite a lua de São Jorge ilumina a obra e protege cada operário.
Muito mais do que um templo para quem pratica a peleja sagrada de domingo o ESTÁDIO DO CORINTHIANS cumprirá ainda que por vias tortas seu papel social, seu papel de inclusão do Povo em esferas não almejadas outros tempos. Obrigado Corinthians por nos escolher!
VIVA O POVO CORINTHIANO!!!
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